sexta-feira, 15 de abril de 2011

Nem o amor, nem o ódio

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola.
Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. O que seria preferível? Que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém.
Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua... Não estamos nem aí. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta.
Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Clichês

Nunca soube agradar ninguém. Mudar de melhor amigo(a) a cada dois meses. Ser falsa a um ponto ilimitado. Conviver forçadamente. Não me importar com as pessoas. Namorar sem gostar. Fingir amar. Gostar de uma banda porque eles gostam. Fazer de tudo pra não ser deixada pra trás. Imitar os outros. Viver em uma ilusão. Ser mesquinha. Fútil. Nunca me senti bem assim. Não vivo em meios que não me cabem, não tento me enturmar a qualquer custo, não me envolvo com coisas que não quero. Porque eu tenho orgulho próprio, senso de realidade, sentimentos, e influências externas só me abalam quando eu quero. A essência de ser eu, é só minha.

Preserve a sua.





Morre José Alencar

“Não tenho medo da morte, porque não sei o que é a morte. A gente não sabe se a morte é melhor ou pior. Eu não quero viver nenhum dia que não possa ser objeto de orgulho. Peço a Deus que não me dê nenhum tempo de vida a mais, a não ser que eu possa me orgulhar dele.
Se Deus quiser que eu morra, ele não precisa de câncer para isso. Se ele não quiser que eu vá agora, não há câncer que me leve”


José Alencar, (1931 - 2011)